Protestar ou não protestar … é realmente este o dilema?

* Peso desculpas se as minhas informações não estão completamente certas, este texto é somente uma opinião pessoal

A maioria de vocês devem ter lido, visto ou ouvido falar sobre os protestos no Brasil. Estar em Campinas,  cidade localizada a 1 hora (aprox.) de São Paulo, enquanto tudo isso está acontecendo, tem sido uma experiência muito interessante, que, de certa forma, reforça alguns dos meus sentimentos anteriores sobre o movimento Occupy, que agora não é tão popular como era há um ano.

Tudo começou com uma reivindicação simples. O Movimento organizado chamado “Passe Livre” – MPL, começou a se queixar dos altos preços do transporte público, que estava prestes a sofrer mais um aumento. Um pequeno grupo começou a protestar e as reações agressivas da polícia e os artigos negativos publicados pela mídia, foram, na minha opinião, algumas das causas do grande incêndio que veio depois. Facebook, na maior parte, se transformou no meio de comunicação em que a opinião pública começou a aparecer. Alguns ficaram decepcionados com a reação do governador ao protesto, em particular o uso da força policial pretendendo acalmar uma manifestação pacífica. Outros começaram a se queixar como a mídia, em especial “O Globo”, a maior empresa de comunicação do país, projetou a manifestação só mostrando os danos feitos por algumas pessoas, e não o que o movimento estava tentando alcançar. No entanto, as reivindicações não param por aí. Mais reclamações começaram a aparecer, por exemplo, houve uma grande crítica sobre os altos gastos com estádios para a Copa do Mundo, enquanto os serviços básicos como educação e saúde estão em situações precárias, também críticas sobre a corrupção no governo e oposição a um senador que está tentando estabelecer uma lei que ajude a encontrar uma “cura para as pessoas homossexuais”.

A mistura de várias queixas, imagens sobre o abuso policial e mensagens constantes sobre a liberdade ea necessidade de apoio público no Facebook, fez que jovens (entre 15 até 35) cada vez mais acompanhassem o movimento. Além disso, o fato de que o aumento no preço do transporte público era algo que estava para acontecer em várias cidades brasileiras, e que as demais alegações eram preocupações de âmbito nacional, ampliou o protesto a um nível nacional.

Assim, o Facebook foi inundado por fotos, post, memes, sobre a manifestação e várias páginas de eventos foram criados, um para cada cidade (Ex: Campinas) e outro que convocou uma manifestação nacional para o dia 20 de junho (convocatória Nacional) .

Eu participei na caminhada em Campinas. Foi dito que mais de um milhão de brasileiros, em mais de 80 cidades, saíram às ruas para apoiar o movimento. No entanto, ainda não é claro qual é o resultado esperado a partir da própria manifestação. MPL não se consideram os líderes de todo o protesto, mas apenas do assunto relacionado com o preço do transporte público, embora eles estejam cumprindo o papel de representantes nas negociações com o governo. Mesmo assim, o futuro deste movimento para mim não é claro. E é em torno desta questão que quero fazer uma pequena reflexão.

As pessoas no Brasil estão cansadas ​​de serem abusadas. Seus direitos democráticos como cidadãos tem sido reduzidos básicamente a processos eleitorais a cada dois anos, para diferentes cargos políticos. Nos intervalos, a sua voz deveria ficar em silêncio. Isso também é conhecido como um governo “poliarquico“. Mas é durante esses lapsos de tempo em que os políticos governam e algumas das reivindicações das quais as pessoas se queixam, ocorrem. Por favor, não me entenda mal. Existem alguns mecanismos participativos, e alguns políticos escutam e trabalham em conjunto com aqueles que os elegeram. Mas, considerando o sistema político brasileiro eo tamanho do país, isso está longe de ser suficiente.

Para mim, este é o principal desafio. As reivindicações são coisas que necessitam de correção, com certeza, mas sempre haverá coisas para melhorar. Então o que devemos fazer? Protestar e paralisar o país toda vez? Eu não vejo isso como uma estratégia a meio ou a longo prazo. Tem alguns assuntos que devem ser refletidos e que devemos tentar encontrar soluções, como:

  1. Como fazer com que um cidadão comum, não apenas aqueles mais educados ou já politizados, estejam mais interessados ​​na participação política?
  2. Como re-estruturar o sistema do governo para permitir a participação do povo?
  3. Como tornar visíveis as contribuições das pessoas sobre as medidas tomadas pelos seus representantes?

Eu apoio totalmente o protesto, em especial, porque é um primeiro sinal de que há pessoas dispostas a mudar o que agora não está funcionando. Mas também devemos aproveitar esta oportunidade para pensar o que é essa outra maneira que queremos pro governo. Além de apresentar a nossa insatisfação e nossas reivindicações, nós também devemos tentar nos organizar para encontrar soluções para os problemas apresentados acima. Os políticos atuais estão de acordo com o sistema atual, por isso não devemos esperar por eles para fazer as alterações. Devemos fazer propostas, explorar soluções. E não estamos sozinhos, eu me incluo nesta questão, não porque eu estou atualmente no Brasil, mas porque a falta de satisfação é um sentimento que está se espalhando por todo o mundo! A gente o viu com a Primavera Árabe, o movimento Occupy, os protestos no Brasil e muitos outros.

Facebook ajudou a tornar a opinião do público visível e atrair outros para se juntarem a causa … será que pode também ajudar a discutir soluções? Talvez precisemos de algum outro tipo de fórum? Ainda há muito que discutir e refletir .. mas não devemos perder o ímpeto, e aproveitar o entusiasmo atual para tentar ter propostas com uma visão de longo prazo.

Eu estou iniciando a minha contribuição refletindo neste blog … o que você está fazendo? Quem quer se juntar a mim nessa discussão?

Un pensamiento en “Protestar ou não protestar … é realmente este o dilema?

  1. gostei das suas reflexões, é realmente importante que muitas muitas coisas sejam modificadas e que o povo aprenda a atuar como sujeito do processo histórico

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